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Frozen é um filme cristão?

A animação de 2014 se diferencia por sua abordagem diferente e uma história centrada no relacionamento de duas irmãs.

Nunca fui de curtir muito desenhos, mas agora com dois filhos começo a assistir e ter outra visão. Tenho percebido os roteiros, músicas e a qualidade não só visual mas também a profundidade da história. Qual não foi a surpresa ao assistir Frozen pela primeira vez! Anteriormente resistente, me surpreendi positivamente com este desenho por ele conter inúmeros temas cristãos. O que? Isso mesmo, Frozen é o filme mais cristão que assisti nos últimos tempos.

Primeiramente, um sumário do filme: Frozen conta a história de duas princesas, Elsa e Anna. Elsa, a irmã mais velha, tem uma benção/maldição mágica – ela é capaz de através de força de sua vontade e emoção criar desde neve até tempestades de gelo. Anna, a filha caçula, é precoce, desajeitada e uma garota muito adorável.

Um dia, quando as duas crianças estão brincando juntas, Elsa acidentalmente congela uma parte da mente de Anna. Os trolls na floresta são capazes de salvá-la, mas no processo de extrair os efeitos da mágica eles também extraem as memórias de ver a sua irmã fazendo mágica.

Com temor de que Elsa use seus poderes novamente sem querer, Elsa e seus pais decidem manter sua mágica escondida de Anna e do resto do mundo. Entretanto, conforme Elsa vai crescendo ela vai se tornando cada vez menos capaz de controlar seus poderes. Ela repete o mantra: “Conceal it, don’t feel it” (“Encondê-lo, não sentí-lo”) e procura controlar sua habilidade.  Ela passa sua vida em seu quarto, escondida do mundo com as portas do castelo fechadas e também fechada para as emoções de sua irmã.

Até que seus poderes fogem do controle e com stress e emoção, sua “maldição” retorna, na frente de várias pessoas, que acabam a rotulando de feiticeira monstruosa. Assim, ela foge para as montanhas. No processo, a tempestade dentro dela se traduz literalmente para o mundo em volta dela, trazendo inverno sem fim para o reino.

Anna tenta reaver o amor da irmã e convencer ela a acabar com o inverno. No meio tempo, Elsa acidentalmente congela o coração da irmã. O coração congelado, segundo os trolls da floresta é muito mais difícil de curar do que uma mente congelada, sendo necessário um ato de Amor Verdadeiro para curá-lo. Todos assumem que o ato seria um beijo, como em toda história anterior da Disney, e então Anna corre atrás do beijo de seu verdadeiro amor.

É aqui que a história fica interessante.

Cruzando com a teologia cristã temos semelhanças temáticas impressionantes, como bem notou Michael Belote.

Frozen e a Leielsa-lei-graca

Elsa é incapaz de controlar seus poderes. Ela tenta e tenta, mas ela falha. Segundo a Bíblia, acontece o mesmo conosco. Nós temos a Lei Mosaica para nos mostrar o que é o certo e nos evitar de errar, mas no fim a Lei só nos prova a nossa inabilidade de manter os estatutos da Lei. Em Romanos 7.19-20 lemos: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o
pecado que habita em mim.”

Frozen e a Graça

Anna está quase morrendo quando se aproxima do beijo do seu suposto Verdadeiro Amor. Então, com o canto de seu olho ela vê sua irmã Elsa, pronta pra ser morta por um inimigo com uma espada. O que Anna faz? Ela foge do beijo do seu Verdadeiro Amor e corre para salvar sua irmã! Anna se coloca entre a espada e sua irmã, dando sua vida pela da irmã. Soa familiar?  João 15.13: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”.

Nesta história Anna serve como um arquétipo de Jesus: ela dá sua própria vida por alguém que ela ama.

Olaf, o boneco de neve, uma certa altura define amor para Anna em uma cena anterior: este não é o amor romântico tipicamente presente nos filmes da Disney, mas sim, “colocar a necessidade dos outros antes das suas”. Isso é o que a Bíblia ensina sobre o amor ágape, auto-sacrificial, incondicional. (Ef 4.32)

Da mesma forma que Jesus não morreu simplesmente, o ato sacrificial de Anna derrete seu coração e a trás de volta à vida.

No meio tempo disso, Anna conhece um pouco melhor Kristoff e sua “família”. Invertendo muito o que as histórias da Disney pregavam no passado, a música que o trolls cantam nesta parte do desenho é muito interessante. Fala sobre o verdadeiro amor, e sobre como um homem pode ser um “Fixer-upper”, um “consertador” para uma mulher e vice-versa. A ideia é de que as pessoas não são perfeitas e tem alguns defeitos, mas que, com amor, elas podem ajudar um ao outro a melhorar dentro da relação. É muito pra um filme da Disney, hein?

 A redenção da maldição.

Assim como nós caímos, Elsa também sofria uma maldição. Da mesma forma que o sacrifício de Jesus, o sacrifício de Anna, quebrou a maldição e salvou sua irmã. Semelhante ao que o sacrifício expiatório de Cristo fez por nós. E semelhantemente ao sacrifício que podemos fazer pelos outros, que é também transformador.

Assim, Elsa encontra a liberdade de sua maldição. Aprendendo a controlar e eliminar o pecado de sua maldição, a maldição é redimida. Agora ela é hábil para usar seu dom para aproveitamento de todo o reino, ao invés de deixá-lo escondido.

Algumas passagens bíblicas neste sentido:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” Gálatas 3:13

“O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”.
Colossenses 1:13-14

“E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.
Colossenses 1:20

A mensagem de Frozen, em resumo, é que fomos resgatados de nossas maldições por um ato de Verdadeiro Amor, um amor sacrificial, e que agora, nossas habilidades foram redimidas e que podemos usá-las para o bem do Reino. Sem contar que as nossas relações servem para nos tornar melhores pessoas. Pode um filme ser mais cristão que isso? Vale muito a pena assistir este filme, você ser surpreender.


Luiz Adriano Borges, professor de história na UTFPR-Toledo, lecionando sobre história da técnica, tecnologia e sociedade, filosofia, sociedade e política. Seu projeto atual de pesquisa se refere à Ciência, Tecnologia, Sociedade e transcendência, procurando perceber o relacionamento da tecnologia e da religião.

Retirado de Oração Valente

About the author

Luciana Petersen

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